Viúva de vítima de acidente aéreo utiliza a indenização para criar uma floresta em homenagem ao marido

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Em 2006, a queda do voo 1907, da Gol, deixou 154 vítimas fatais e chocou o país. O voo saiu de Manaus com escala em Brasília, e tinha como destino final o Rio de Janeiro, mas foi derrubado pelo jato Legacy, caindo no Mato Grosso. Um dos passageiros era o engenheiro Mauro Romano, marido de Denise Thomé.

Denise e Mauro estavam casados há 24 anos. Para superar a dor do luto, em 2008, com parte do dinheiro da indenização pelo acidente, ela comprou um terreno de 30 mil metros quadrados em Andrade Costa, no interior do Rio de Janeiro, e plantou mais de seis mil árvores, realizando um antigo desejo de Mauro.

Denise e Mauro estavam casados há mais de 20 anos e tinham três filhos. Mauro era engenheiro metalúrgico e Denise trabalhava como gerente de um grande banco. Eles planejavam aproveitar mais o sítio da família, chamado Sta. Rita, localizado em Andrade Costa, no interior do Rio de Janeiro. Mas tudo mudou quando o avião em que Mauro estava, em 2006, caiu no Mato Grosso.

Para superar a perda tão dolorosa, Denise, que sempre foi muito ligada à natureza, decidiu colocar em prática um antigo projeto do marido, que seria feito nos arredores da cidade de Andrade Costa. “A perspectiva de trabalhar em prol da comunidade daquela região em projetos sustentáveis me deixava tão contente. Era para lá que nós íamos naquela sexta-feira. Pretendíamos discutir um projeto cujo objetivo era gerar um complemento de renda aos jardineiros dos arredores, mas Mauro nunca chegou”, afirmou Denise em uma entrevista.

Em 2009, ela se aposentou para se dedicar totalmente ao projeto e fundou a ONG Vale Verdejante, que foi fundada com parte do dinheiro que ela ganhou de indenização pelo acidente. Ela comprou um terreno de 30 mil metros quadrados, onde fundou o Parque Ecológico Mauro Romano, em Andrade Costa, no Rio de Janeiro.

Ao longo desses 15 anos, Denise, a comunidade e uma equipe de 20 pessoas plantaram cerca de seis mil árvores. Com o tempo, os pássaros, que haviam sido espantados pela devastação da região, voltaram por causa do reflorestamento.

No fim de 2020, a floresta foi reconhecida por decreto como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mauro Romano.

“Ao caminhar pelo Vale, ouvindo o barulho das folhas, me sinto bem pertinho do Mauro. A natureza tem muito para dar para gente, mas é preciso ter olhos para ver beleza. Eu tenho.”

“Ganho mais bem-estar trazendo coisas positivas para o mundo, mesmo que o meu trabalho seja tão pequeno. Mas fazer a minha parte foi o que me deixou longe de qualquer depressão e angústia. Aprendi a ver beleza em tudo.”

Fontes: Razões para Acreditar, O Globo

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