O seriado mexicano “Chaves” fez parte da infância de muitos de nós e ainda encanta as crianças desta geração (e provavelmente das próximas). O humorístico possui seguidores nas mais diversas partes do mundo, sendo o Brasil um dos países com maior público. Um dos motivos do seu grande sucesso é seu texto que, incrivelmente, se mantém bastante atual, fora as atuações dos atores que deram vida aos personagens cativantes da turma.

O que certamente você não sabia, tampouco desconfiava, era que alguns fatos bizarros permeiam o universo aparentemente inocente do programa. Teoria da conspiração ou não, saiba o que há por trás do Chaves.

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O texto original, no qual este post se baseia, fora publicado no site Revista Bula e escrito pelo doutor em História e pós-doutor em poéticas visuais, Ademir Luiz, e já gerou um bocado de discussão entre os fãs ou simpatizantes da série televisiva por ser um tanto polêmico. Isso ocorre porque, em seu texto, Ademir disseca o seriado do ponto de vista do seu autor, Roberto Gomez Bolaños.

Para começar, Ademir explica que o “módico” apelido de Bolaños no México é Chespirito, que naquelas terras soa como um diminutivo para Shakespeare ou um “pequeno Shakespeare”, numa comparação aberta ao grande dramaturgo inglês. Segundo Ademir, Bolaños “é o criador de uma das mais sutis, brilhantes e temíveis representações do inferno em qualquer das artes: o seriado ‘Chaves’”. Isso mesmo, meus caros, a vila onde se desenvolve toda a trama seria um pedaço do inferno e seus personagens “pecadores amaldiçoados”, condenados a vagar infinitamente naquele plano.

Não vou reproduzir o texto inteiro aqui, pois o mesmo é bem extenso e vale muito a pena ser lido na íntegra. Então, farei um breve resumo.

No México, o programa “Chaves” é intitulado “El Chavo Del Ocho”, que traduzido para o português significa “O Moleque Do Oito”, numa referência ao número da casa na qual o protagonista mora – não, ele não mora num barril, como muitos pensam. Acontece que, o número 8 escrito deitado representa o símbolo do infinito, pois a morte é infinita: não haveria nada antes dela e nada depois dela

A vila seria então um pedaço do inferno no qual os personagens ficam eternamente repetindo as mesmas ações que os puseram ali, num ciclo vicioso e violento: “Chiquinha chuta a canela de Quico e faz seu pai pensar que o menino foi o agressor, enervado Seu Madruga belisca Quico, que chama Dona Florinda, que acerta um tapa no vizinho gentalha, que descarrega a raiva no Moleque, que atinge o Seu Barriga quando ele chega para cobrar o aluguel. Enquanto isso, o professor Girafales, queimando de desejo, bebe café, com um buquê de rosas no colo, sem desconfiar a causa, motivo, razão ou circunstância de tanta repetição.”

chaves_vila

Outro aspecto do cenário da Vila é que trata-se de um labirinto rizomático, confuso, cuja saída leva a uma rua estreita, a uma barbearia, a um restaurante, a um parque ou a uma sala de aula apertada. Cenários como Acapulco são exceções à regra. Há também a questão da suspensão temporal, afinal, por que o senhor Barriga sempre cobraria eternamente os mesmos 14 meses de aluguél? Por que não 15 ou 16 meses? Simples, o tempo não passa naquele lugar!

Analisando os personagens, a coisa fica ainda mais esquisita. Cada um deles representaria um pecado capital e, como estão numa espécie de limbo, ficam fadados a refazer as mesmas ações.

chaves_turma

O Chaves representa o pecado da gula, o moleque sempre insaciável que ama o sanduíche de presunto e chama seu professor de “linguiça”, numa contradição aos costumes bíblicos que relatam que a carne de porco é suja.

O Senhor Barriga representa a ganância, pois somente alguém muito ganancioso cobraria os 14 meses de aluguel todos os dias; o Quico é movido pela inveja, uma vez que os brinquedos alheios sempre são mais interessantes que os seus, apesar de serem maiores e melhores; o Seu Madruga é a preguiça em pessoa e sempre acha uma desculpa para se esquivar dos seus afazeres e não pagar o aluguél.

dona florinda e girafales

Professor Girafales e Dona Florinda representam a luxúria, os dois amantes que, apesar dos seus desejos incontroláveis, jamais passam da tradicional xícara de café e dos incontáveis buquês, pois estão condenados a abstinência sexual eterna. Aliás, o fato do professor Girafales em sempre acender seu charuto – mesmo na sala de aula – representa o cacoete dos amantes em fumar após a relação sexual. Uma vez que o corpo não acompanha a mente, só resta ao pobre homem fumar e fumar.

A Chiquinha é a personalidade furiosa representando a ira e que, apesar dos seus esforços, não consegue se expressar da maneira que gostaria por ser a menor da turma, logo, só lhe resta chorar; Dona Clotilde é a vaidade. Moradora do 71 ( 7 + 1 é 8, o infinito) possui um animal de estimação de nome “Satanás” e que ora é um cachorro, ora é um gato, demonstrando o aspecto transmorfo do demônio.

dona clotilde

Jaiminho, o carteiro, seria o único representante do lado de cá. Segundo o texto, ele seria um médium e suas cartas, psicografias. O fato de viver cansado demonstra o seu tremendo esforço em vagar entre os planos e sua amada Tangamandápio, onde tudo é grande e mais bonito, não seria uma cidade, mas o próprio mundo dos vivos.

jaiminho carteiro

O texto original segue explicando os personagens secundário da trama como o Godinez, a Popis, a Pati, etc, e seu papel de “patronos infernais”, além de outros detalhes bem interessantes. Como já mencionado, vale a pena ler o original e se surpreender ainda mais.

Fonte: Revista Bula
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Categorias: Curiosidades

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Fundador do Tudo Interessante e formado em Direito. Eclético do pop ao metal melódico - sim, é possível! É fã de tecnologia, ama jogos de iPad, é maluco por filmes de terror, adora fazer papercraft e origami nas horas vagas, e quer mais é que os haters vão pro raio que os parta! Mora em São Luís-MA


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